06

May

2026

Diagnóstico de adenomiose

Cólica forte e sangramento intenso não é normal: adenomiose pode ser a causa. Muitas mulheres convivem por anos com cólicas fortes, menstruação intensa, dor nas relações sexuais ou dificuldade para engravidar sem saber a causa.

Introdução: A adenomiose é doença ginecológica caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometrial no miométrio, associada a sangramento uterino anormal, dismenorreia, dor pélvica crônica e infertilidade. Durante muitos anos, seu diagnóstico dependia de confirmação histológica após histerectomia. O avanço dos métodos de imagem possibilitou diagnóstico não invasivo e mais precoce. Nesse contexto, apesar da padronização ultrassonográfica proposta pelo grupo MUSA (Morphological Uterus Sonographic Assessment) representar importante progresso na uniformização diagnóstica, existem ainda controvérsias quanto aos critérios diagnósticos e ao melhor exame diagnóstico. Definir o melhor exame inicial é fundamental para ampliar acesso e reduzir atraso terapêutico.

Objetivo: Debater qual deve ser considerada o exame padrão e preferencial no diagnóstico da adenomiose.

Métodos: Revisão narrativa baseada em estudos indexados na Medline/PubMed e artigos de revisão recentes sobre diagnóstico clínico e por imagem da adenomiose.

Resultados: A ultrassonografia transvaginal (USTV) é amplamente disponível, de menor custo e permite avaliação dinâmica do útero, sendo considerada método de primeira linha. Os principais achados incluem espessamento assimétrico do miométrio, cistos intramiometriais, sombreamento em leque, linhas subendometriais ecogênicas e vascularização translesional. Estudos relatam sensibilidade entre 65–81% e especificidade entre 65–100%. A revisão sistemática de Alcázar et al. (2022) demonstrou desempenho semelhante entre USTV e ressonância magnética (RM), sem diferença estatisticamente significativa. A RM apresenta maior padronização anatômica, melhor avaliação da zona juncional e é recomendada como segunda linha em casos inconclusivos, com sensibilidade de 88–93% e especificidade de 67–91%. Apesar dos avanços, persistem limitações relacionadas à variabilidade do examinador e ausência de uniformidade diagnóstica.

Conclusão: A USTV permanece como exame inicial preferencial no diagnóstico da adenomiose. A RM deve ser reservada para casos duvidosos ou complexos. São necessários critérios mais padronizados.

2. RESUMO PARA LEIGOS

Cólica forte e sangramento intenso não é normal: adenomiose pode ser a causa

Muitas mulheres convivem por anos com cólicas fortes, menstruação intensa, dor nas relações sexuais ou dificuldade para engravidar sem saber a causa. Como ajudar?

Uma das possibilidades é a adenomiose, doença em que o tecido que normalmente reveste o útero cresce dentro da parede muscular uterina. Hoje, o diagnóstico pode ser feito sem cirurgia, principalmente por meio do ultrassom transvaginal, exame acessível, rápido e bastante útil quando realizado por profissional experiente. Em alguns casos, a ressonância magnética pode ser solicitada para confirmar dúvidas ou avaliar situações mais complexas. Descobrir a adenomiose precocemente é importante porque existem tratamentos capazes de melhorar a dor, controlar o sangramento e preservar a fertilidade, dependendo do caso e da idade da paciente.

Se você apresenta cólicas incapacitantes, fluxo menstrual muito intenso, dor pélvica frequente ou dificuldade para engravidar, procure avaliação ginecológica. Sofrer com a menstruação não deve ser considerado normal. O diagnóstico correto pode mudar sua qualidade de vida.

Referências Bibliográficas

Chapron C, Vannuccini S,Santulli P, et al. Diagnosing adenomyosis: an integrated clinical and imaging approach. Hum Reprod Update.2020; 26(3):392-411.

Celli V, Dolciami M, Ninkova R, et al. MRI and Adenomyosis: What Can Radiologists Evaluate? Int J Environ Res Public Health. 2022; 19:5840.

Alcázar JL, Vara J, Usandizaga C, et al. Transvaginal ultrasound versus magnetic resonance imaging for diagnosing adenomyosis: Asystematic review and head-to-head meta-analysis. Int J Gynecol Obstet. 2022;161:397-405.

Biasioli A, Degano M, Restaino S, et al. Innovative Ultrasound Criteria for the Diagnosis of Adenomyosis and Correlation with Symptoms. Biomedicines. 2024; 12:463.

Cetera GE, Tozzi AE, Chiappa V, et al. Artificial Intelligence in the Management of Women with Endometriosis and Adenomyosis. J Clin Med. 2024; 13:2950.

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=NCkGtkiC4G0

Publicado por
Juliana Hamati da Fonseca Hereny Bordim

Publicado por
Maria Fernanda Lemos Lins de Albuquerque

Publicado por
Fabio Affonso Kimus

Publicado por
Marise Samama

Publicado por
Joji Ueno

Publicado por
Fábio Ikeda

Outros artigos que podem ser do seu interesse

O papel de diversos suplementos na síndrome dos ovários policísticos

Revisar e entender os potenciais efeitos benéficos de vitaminas e antioxidantes no campo da infertilidade em pacientes com SOP.
Jorge Moura
21
Oct
2025

Adenomiose e Infertilidade: uma revisão bibliográfica

Relação entre adenomiose e infertilidade. Destacando a prevalência e os desafios no diagnóstico e manejo, bem como o impacto negativo da adenomiose na fertilidade feminina.
Jorge Moura
26
Feb
2024

Aplicação da Cirurgia Robótica na Paciente Infértil

Jorge Moura
11
Jun
2026