A escolha do trigger para maturação oocitária deve ser individualizada de acordo com a resposta ovariana?

RESUMO CIENTÍFICO

Título: A escolha do trigger para maturação oocitária deve ser individualizada de acordo com a resposta ovariana?

Autora: Juliana Hamati da Fonseca Hereny Bordim

Co-autores: Fabio Affonso Kimus e Maria Fernanda Lemos Lins de Albuquerque

Revisão: Prof. Dra Marise Samama

Introdução: O gatilho para maturação oocitária final constitui uma etapa determinante da fertilização in vitro (FIV), influenciando a maturação dos oócitos, o suporte lúteo e o risco de síndrome de hiper estimulação ovariana (SHO). As principais estratégias incluem hCG isolado, agonista de GnRH e a associação de ambos. Como pacientes com baixa, normal ou alta resposta ovariana apresentam diferentes objetivos e riscos durante a estimulação, a escolha individualizada do trigger pode otimizar a maturação oocitária e, simultaneamente, aumentar a segurança do tratamento.

‍Objetivo: Avaliar as evidências sobre a individualização do trigger de maturação oocitária em baixas, normo e altas respondedoras submetidas à FIV/ICSI.

‍Métodos: Revisão narrativa da literatura, incluindo ensaios clínicos, estudos observacionais, revisões sistemáticas, metanálises e recomendações da ESHRE, comparando hCG, agonista de GnRH e trigger duplo em diferentes perfis de resposta ovariana.

‍Resultados: Nas baixas respondedoras, o hCG permanece como estratégia geralmente recomendada; estudos sugerem que o trigger duplo pode aumentar oócitos maduros e embriões de boa qualidade em situações selecionadas, porém a evidência ainda é insuficiente para seu uso rotineiro. Nas normorrespondedoras, estudos individuais apresentam resultados divergentes, e metanálise em rede não demonstrou superioridade consistente de outras estratégias sobre o hCG para gravidez clínica. Nas altas respondedoras, a prioridade é a prevenção da SHO. O trigger com agonista de GnRH associado à estratégia freeze-all reduz significativamente esse risco, mantendo eficácia reprodutiva semelhante; a adição de hCG pode aumentar novamente o risco de SHO.

‍Conclusão: A escolha do trigger deve ser individualizada. O hCG permanece referência em baixas e normorrespondedoras, enquanto agonista de GnRH com freeze-all priorizasegurança nas altas respondedoras.

2. RESUMO PARA LEIGOS

O último passo antes da coleta dos óvulos: por que o ‘gatilho’ da FIV não deve ser igual para todas as mulheres?

Durante um tratamento de fertilização in vitro, após alguns dias de estimulação dos ovários, é necessário aplicar uma última medicação para que os óvulos completem seu amadurecimento antes da coleta. Essa etapa é conhecida como gatilho da ovulação.

Existem diferentes medicamentos para fazer esse gatilho, e atualmente sabemos que a melhor escolha não é necessariamente a mesma para todas as pacientes.

Mulheres que produzem poucos óvulos podem precisar de uma estratégia que priorize ao máximo a maturação dos óvulos disponíveis. Para aquelas com resposta ovariana dentro do esperado, existe uma opção segura e bem estabelecida. Já nas mulheres que desenvolvem muitos folículos, a principal preocupação passa a ser evitar a síndrome de hiper estimulação ovariana, uma complicação potencialmente grave do tratamento. Nesses casos, outras estratégias podem reduzir bastante esse risco.

Por isso, o gatilho deve ser escolhido de acordo com a resposta dos ovários, o número de folículos, o tratamento planejado e os riscos individuais.

Na reprodução assistida, individualizar o tratamento não significa usar mais medicamentos, mas escolher a estratégia mais adequada para cada paciente.

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